domingo, abril 13

Tente outra vez














Não diga que a canção
Está perdida
Tenha fé em Deus
Tenha fé na vida

Por que são esses os versos que ficam quando penso no tio Horácio? Contador de histórias e de algumas vantagens. Era seu jeito especial de reinventar a vida, o que garantiu que tivesse muitas em uma só.

Alisava o cabelo a ferro e pulava a janela pra sair escondido do vô. Liderava banda, animava baile de carnaval. Foi taxista, vendedor, fazedor de alpargatas e de versos, representante comercial, viajante, aventureiro, sonhador, dono do Bily e do Muruga, músico, amigão, tricolor guerreiro, pai, vô, marido, mano, filho, tio. Tudo ao mesmo tempo e do seu jeito.

E ninguém fazia versões melhores do Raul Seixas, nem percorria tantos quilômetros pra chegar a Salvador da Bahia, muito menos trazia tantos causos na bagagem. Difícil escolher uma coisa só pra falar do tio que ensinou a gurizada a soltar pipa nos campinhos de Bagé. Talvez fique a imagem da pescaria cheia de mosquitos ou das muitas rodas de samba depois do churrasco, com direito a Saudosa Maloca.

Melhor: é só lembrar da força de um otimismo do tamanho do mundo que quase nos fazia acreditar que não existe tristeza, nem problema. Certeza de que a vida leva o tempo de um instante e que vale tentar viver cada segundo com mais intensidade.

E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida

Um comentário:

Carla disse...

Bah Lica! parece mentira, mas sem comentários.
O que escrevestes é lindo e emocionante. Nestas horas tenho vontade de estar junto com todos vocês. Minha família.
Beijão!