sábado, junho 28

Vamos fugir?

Meninas fugitivas de São Paulo, como ficaram conhecidas duas adolescentes de 15 e 16 anos, saíram do cinema e resolveram não voltar pra casa. Nenhum destino muito certo em mente: partiram em busca da felicidade. Foi assim que definiram o desejo de abandonar pais, casas e escolas. Insatisfação aliada à busca de algo tão sonhado e difícil de ser definido. Foram até criticadas por isso. Como alguém deixa uma vidinha classe média alta para procurar algo que nem ao menos é capaz de descrever? Bobinhas, românticas, rebeldes sem causa, corajosas, irresponsáveis?

Em seis dias, pegaram mais de dez caronas e supostamente foram vistas em Cachoeira do Sul, Alegrete, até serem resgatadas em Curitibanos, Santa Catarina. Ouvi que pensaram em Porto Alegre como um possível lugar onde tentar a sorte. Que imaginário forte de cidade esse, hein? Livre, alternativa de recomeço, mas marcada por um frio capaz de afugentar qualquer aventureira. Diz que foi o despreparo para enfrentar o clima gaúcho que impediu as meninas de seguir adiante, talvez rumo a Buenos Aires.

Engraçado foi o fato de serem vistas por um advogado que viajava de Porto Alegre a Bagé. Imagina se pegassem uma carona com ele? Largar tudo em busca da felicidade e acabar em Bagé? Não seria nada novo encontrá-las por lá. A rainha da fronteira tem histórico como sede de esconderijos famosos. Está aí a suíte do juiz Lalau no motel Fliper para nos fazer lembrar do hóspede ilustre que deu um tempo na cidade até ser denunciado por um taxista.


Essa história toda me fez pensar em meus planos de fuga. Versões de vidas paralelas que carregam um sentido de felicidade não muito distante do aventurado por elas. Florista no interior de Minas, hoteleira na Toscana, escritora em Barcelona? Tudo tão clichê, tão Pão e Tulipas... Divagações à parte, fica uma dúvida (nada retórica): será que tem lugar certo pra ser feliz?

Pra onde leva a estrada de São Lourenço do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil, fotografada por Eduardo Amorim?

4 comentários:

Carla disse...

Bah Lica, eu fico pensando que a Héllen terá essa idade, será também que irá querer fugir.
Que compromisso para uma mãe hem? Hoje em dia não consigo entender o que se passa na cabeça de adolescente, vou ter que estudar mais.
Beijão te amamos!

Liliane disse...

Viu que eu voltei a escrever... Valeu o incentivo da minha leitora número 1.
Beijo ;)

Grazi disse...

Lili,
Bom, se for por falta de companhia, numa dessas tu me chama...A coisa não anda fácil e tem horas que eu só penso em fugir, especialmente quando penso em qualificação, ou seja, praticamente 24h em um dia...( que drama!)
Beijos amiga,

Liliane disse...

Quem é vivo sempre aparece... Nem que seja pra fugir, hein Grazi?!?
Simbora!
Pro lugar mais longe do mundo das qualificações possível. Combinado ?